Prefeitura de Caarapó vai repassar R$ 3,27 milhões para o hospital, mas cirurgias básicas seguem suspensas

Apesar do investimento, o novo contrato deixa de fora justamente serviços que a população mais necessita

CaarapoNews/CaarapoNews


Até mesmo as cirurgias gerais que eram feitas

A Prefeitura de Caarapó autorizou a contratação do Hospital Beneficente São Mateus por inexigibilidade de licitação, no valor de R$ 3.276.000,00, para garantir serviços como pronto-socorro 24 horas, sobreavisos especializados, anestesiologia e transporte hospitalar. O contrato, com vigência de seis meses, foi assinado em 22 de janeiro de 2026 pelo chefe de gabinete, Milton Lugo Junior dos Santos.

Apesar do investimento, o novo contrato deixa de fora justamente serviços que a população mais necessita: as cirurgias ortopédicas — antes realizadas pelo médico Franserg Sacoman — e as cirurgias gerais, executadas pelo cirurgião Silvio Ueda, ambos os serviços foram cortados no início do ano. As duas áreas são consideradas básicas para o atendimento de urgência em qualquer município de médio porte, como Caarapó.

População desassistida e profissionais constrangidos

Fontes ouvidas pela reportagem revelam que a exclusão dessas cirurgias já causa uma série de transtornos e constrangimentos. Na última sexta-feira, durante a correria do atendimento a um acidente fatal, um paciente teria dado entrada com fratura em um dedo — um caso simples de rotina ortopédica.

Sem equipe para realizar o procedimento em Caarapó, o paciente foi encaminhado para Dourados. “Ao receber o caso, o médico da unidade douradense teria reagido com indignação, questionando como um município do porte de Caarapó envia um atendimento básico como esse enquanto Dourados enfrenta demanda alta e casos realmente graves”, revelou uma fonte ouvida pelo CaarapoNews, que pediu anonimato. O episódio teria gerado desconforto não apenas ao paciente, mas também aos profissionais que o acompanharam.

Contrato com  serviço limitado

A situação expõe uma contradição evidente: embora o município tenha autorizado um repasse de R$ 3,27 milhões, a população continua sem acesso a cirurgias essenciais, ficando dependente de outras cidades, aguardando liberação de vagas e arcando com os riscos e transtornos desse deslocamento.

A ausência desses serviços no plano de trabalho coloca em xeque a efetividade do contrato e a priorização dos recursos públicos, considerando que, em 2025, o hospital recebeu um montante bem superior e que incluía a cobertura cirúrgica de ortopedia e gerais, que eram realizadas pelos profissionais citados.

Conforme profissional ouvido pela nossa reportagem, o problema tende a se agravar caso a Prefeitura não apresente uma solução rápida, já que a demanda por cirurgias ortopédicas e gerais é contínua e afeta diretamente a população mais vulnerável.

Até o momento a Prefeitura de Caarapó não se pronunciou oficialmente sobre o corte dessas cirurgias.