Riedel defende tornozeleira para agressores e reforço da rede contra feminicídios

Governador afirma que cada feminicídio exige o aprimoramento de medidas que incluem monitoramento de agressores

Evelin Cáceres/Midiamax


Governador Eduardo Riedel. (Pietra Dorneles, Jornal Midiamax)

Cada feminicídio representa uma falha de toda a rede responsável por impedir que a violência contra a mulher chegue ao seu desfecho mais extremo. A avaliação é do governador Eduardo Riedel (PP), que defende o endurecimento das medidas contra agressores e uma atuação integrada entre município, Estado, Governo Federal e Judiciário. 

“Sempre que um feminicídio acontece, significa que toda a rede de proteção falhou. O município, o Estado, o Governo Federal e o Judiciário”, afirmou Riedel.

Entre as medidas defendidas pelo governador, está o monitoramento eletrônico dos agressores. Ao tratar da resposta do Poder Público aos casos de violência doméstica, Riedel resumiu a posição que pretende imprimir à política de proteção às mulheres.

“A primeira é meter a tornozeleira no pé do agressor. A tolerância é zero.”

A proposta parte de um problema que ultrapassa a atuação policial depois que a agressão já ocorreu. Cerca de 80% das agressões e dos abusos acontecem dentro de casa ou no próprio ambiente familiar, onde a capacidade de intervenção direta do Poder Público encontra dificuldades maiores.

É justamente neste espaço privado, muitas vezes distante do olhar das instituições, que podem se acumular ameaças, agressões e situações de abuso até que a violência alcance níveis mais graves. Diante desse cenário, começamos a remodelar o sistema de proteção à mulher”, afirmou o governador.

Proteção precisa começar no primeiro pedido de socorro
Para a delegada Fernanda Barros, um dos momentos mais importantes para impedir a continuidade da violência ocorre quando a mulher decide procurar ajuda.

Em muitos casos, a delegacia é a primeira porta do Poder Público encontrada pela vítima. Por isso, segundo a delegada, esse atendimento não pode se limitar ao registro formal da ocorrência.

“A mulher, quando procura a delegacia, que geralmente é o local onde ela procura o seu primeiro atendimento, precisa se sentir protegida e ser verdadeiramente protegida”, afirmou.

A atuação policial, conforme Fernanda, precisa avaliar imediatamente os riscos enfrentados pela vítima. Dependendo da situação, isso pode exigir o deslocamento dos policiais até o local onde ocorreu a agressão para tentar localizar e prender o agressor em flagrante.

“Se for o caso, iremos até o local onde os fatos ocorreram para tentar fazer a prisão em flagrante desse agressor, para que essa vítima não saia do nosso atendimento desprotegida”, explicou.

A lógica é evitar que a mulher denuncie a violência e, poucas horas depois, volte a ficar exposta justamente ao homem que procurou denunciar.

Recomeço busca romper dependência que prende mulheres ao agressor
Outra frente de enfrentamento à violência está voltada às mulheres que precisam deixar suas casas porque correm risco de morte.

O programa Recomeço busca oferecer condições para que vítimas acolhidas em casas-abrigo consigam reconstruir a própria vida fora do ambiente de violência.

A secretária de Estado Patrícia Cozzolino explica que, durante o acolhimento, essas mulheres recebem suporte psicológico e médico, enquanto os filhos têm atendimento escolar e acompanhamento pedagógico.

O processo, porém, não termina quando a mulher deixa o abrigo.

“Ela escolhe o imóvel, o Estado auxilia essa mulher na locação e paga um salário mínimo por mês durante um ano, para que essa família verdadeiramente quebre o ciclo da violência”, afirmou Cozzolino.

A medida enfrenta uma das dimensões que podem dificultar o rompimento de relacionamentos violentos: a falta de condições materiais para que a mulher estabeleça uma vida independente, especialmente quando há filhos envolvidos.

O auxílio temporário busca criar uma ponte entre o acolhimento emergencial e a retomada da autonomia, permitindo que a vítima encontre uma nova moradia e reorganize a família longe do agressor.

Prevenção deve chegar às escolas
Para Riedel, entretanto, o enfrentamento à violência contra a mulher não pode se limitar à polícia, ao Judiciário ou às medidas adotadas depois que uma agressão já ocorreu.

Uma segunda frente defendida pelo governador é levar o debate sobre violência, preconceito e desigualdade para dentro das escolas.

“A segunda é levar esse tema para dentro das escolas, para conscientizar e mudar a conduta das próximas gerações. Não dá mais para aceitar violência, preconceito e desigualdade”, afirmou.

A proposta coloca a prevenção como parte da política de segurança e proteção social. A intenção é atuar antes que padrões de violência e desigualdade sejam naturalizados e reproduzidos nas relações entre homens e mulheres.

Riedel também relaciona o enfrentamento da violência à capacidade das mulheres de permanecer na escola, trabalhar e conquistar autonomia.

“Cada vez que uma mulher desiste de estudar ou trabalhar, presenciamos uma injustiça que não dá para normalizar”, afirmou.

Para o governador, a violência doméstica e os abusos cometidos contra mulheres e crianças exigem uma resposta que ultrapasse os limites de uma única instituição.

“Toda vez que a violência doméstica e o abuso atingem uma criança, uma família, a dor rasga o nosso peito e exige uma nova atitude”, disse.

A estratégia reúne, assim, diferentes pontos da rede: atendimento policial imediato, proteção às vítimas ameaçadas, acolhimento temporário, auxílio para reconstrução da vida, monitoramento dos agressores e prevenção entre as novas gerações.

O princípio defendido por Riedel é que a mulher que consegue romper o silêncio não pode continuar sozinha diante do agressor — e que o Estado precisa agir antes que uma nova agressão se transforme em mais um feminicídio.