Tempo seco reforça alerta para incêndios e preservação da palhada nas áreas agrícolas

Ocorrências mobilizaram brigadas, produtores e equipes de apoio em diferentes regiões de Mato Grosso do Sul

Aprosoja MS


O período de tempo seco em Mato Grosso do Sul exige atenção redobrada nas áreas rurais, especialmente diante do risco de propagação de incêndios em regiões com vegetação e material combustível. De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, no período de 01/01 a 29/09, foram registradas 2.540 ocorrências de incêndios em vegetação no Estado, as quais mobilizaram 940 militares, especialmente na região do Pantanal.

Ocorrências de grandes proporções têm mobilizado brigadas, produtores, funcionários de propriedades, caminhões-pipa, máquinas agrícolas e aeronaves para o controle das chamas. Nesta semana, um incêndio atingiu uma propriedade entre os municípios de Nova Alvorada do Sul e Rio Brilhante. As chamas atingiram áreas de cana-de-açúcar e avançaram nas proximidades de lavouras de soja recém-plantadas, gerando preocupação quanto à possibilidade de avanço do fogo sobre as áreas agrícolas.

De acordo com Renato Ferreira, gerente da propriedade, o combate foi realizado pela brigada da usina, com apoio de funcionários das propriedades rurais da região, que atuaram na contenção das chamas e na proteção das áreas produtivas próximas.

'Estava ventando muito, então a gente não tem muita coisa o que fazer. O que deu para a gente fazer foi molhar em volta da fazenda, molhar a palhada e tentar socorrer na hora que acalmasse o fogo'.

Também foram registrados incêndios em Maracaju. A ocorrência mobilizou diversas equipes, caminhões-pipa e máquinas agrícolas para auxiliar no controle do fogo. Duas aeronaves também foram utilizadas no combate.

Até o momento, não foram registrados danos a maquinários nas áreas atingidas em Maracaju. As perdas estão concentradas na palhada e na vegetação.

Com o avanço do plantio da soja em Mato Grosso do Sul, a atenção à prevenção de incêndios se torna ainda mais importante. A proteção das lavouras passa não apenas pelo cuidado com a cultura já implantada, mas também pela preservação do solo e dos investimentos realizados pelo produtor ao longo de todo o sistema de produção.

Além dos danos imediatos provocados pelas chamas, os incêndios representam uma perda para o sistema de produção quando atingem áreas com palhada. A cobertura do solo é resultado de um trabalho contínuo de manejo, que envolve planejamento e investimento ao longo de várias safras.

Para o coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta, a preservação desse material é fundamental para a conservação do solo e para a continuidade do sistema produtivo.

“A palhada é extremamente importante para o produtor. Ela não está ali por acaso. Existe todo um trabalho de manejo, investimento e tempo para construir essa cobertura e melhorar a condição do solo. Quando um incêndio passa por uma área, esse trabalho de anos pode ser perdido em poucas horas'.

A manutenção da palhada contribui para proteger o solo da ação direta do sol e da chuva, auxiliar na conservação da umidade e favorecer a ciclagem de nutrientes e o acúmulo de matéria orgânica.

“É um investimento de anos que foi jogado fora em pouco tempo. E estamos falando de duas coisas que o produtor não tem: dinheiro e tempo. Por isso, além de combater o incêndio quando ele acontece, precisamos trabalhar cada vez mais na prevenção', reforça Gabriel.

Prevenção 

Em períodos de baixa umidade e vegetação seca, pequenas fontes de calor podem iniciar focos de incêndio e favorecer a rápida propagação das chamas. Por isso, a orientação é redobrar os cuidados dentro e no entorno das propriedades rurais.

Bitucas de cigarro, fósforos, restos de fogueiras e outros materiais que possam gerar ou conservar calor não devem ser descartados em áreas de vegetação, margens de estradas ou propriedades rurais.

A atenção também deve ser mantida durante o trânsito por estradas e áreas agrícolas, evitando qualquer atitude que possa contribuir para o início de um foco de incêndio.

“Além das medidas preventivas, a preparação das propriedades para situações de emergência é fundamental. A manutenção de equipes de brigada treinadas e aptas a atuar em princípios de incêndio permite uma resposta mais rápida e pode contribuir para evitar que as chamas avancem sobre lavouras, instalações e áreas de vegetação'.

Texto: Crislaine Oliveira (Comunicação Aprosoja/MS)

Foto: cedida pela propriedade