Cidades
Com grave crise financeira, Hospital São Mateus avalia gestão por OS como alternativa
CaarapoNews
Diante de uma grave crise financeira, o Hospital Beneficente São Mateus pode ter sua gestão transferida para uma Organização Social (OS). A medida surge como uma das alternativas para tentar reverter o atual cenário de desequilíbrio econômico enfrentado pela instituição.
Recentemente, o hospital divulgou uma nota pública detalhando receitas, despesas e os principais fatores que contribuíram para a situação. Conforme os dados apresentados, a receita mensal gira em torno de R$ 805.277,06, incluindo repasses estaduais, recursos da União via SUS, convênios, atendimentos particulares, apoio local e contrato com a Prefeitura.
Por outro lado, as despesas mensais chegam a aproximadamente R$ 1.050.000,00, abrangendo folha de pagamento, serviços médicos, medicamentos, insumos e custos de manutenção. Com isso, o déficit mensal é estimado em cerca de R$ 244.722,94.
A direção também informou que a dívida acumulada já se aproxima de R$ 800 mil, resultado de sucessivos meses no vermelho. Além disso, há atrasos no pagamento de fornecedores e de serviços médicos referentes ao mês de dezembro.
Para agravar a situação, o hospital sofreu neste ano uma redução de quase R$ 90 mil nos repasses feitos pelo município. Outro fator apontado como determinante é a defasagem da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS), cujos valores, segundo a instituição, muitas vezes não cobrem os custos reais dos atendimentos, especialmente diante do aumento de gastos com insumos, medicamentos e mão de obra especializada.
A instituição também destacou que recursos destinados a obras e reformas não podem ser utilizados para despesas operacionais, como salários e serviços médicos, apesar de constarem nos portais de transparência como parte da receita total.
Ainda conforme a nota, o alto custo da atividade hospitalar, aliado às exigências sanitárias e à necessidade de estrutura permanente, dificulta o equilíbrio financeiro, mesmo em cenários de aumento de arrecadação.
Sem apoio - Após buscar apoio junto à classe política, empresários e à população, a direção do hospital avalia que a terceirização da gestão, por meio de uma OS, pode ser a única alternativa viável no momento. O Poder Executivo municipal, por sua vez, afirma não ter recursos disponíveis para auxiliar a instituição.
Uma proposta de parceria com um instituto, que prevê a gestão do hospital por um período de 20 anos, deve ser apresentada na próxima terça-feira (7) à diretoria da entidade, além de representantes dos poderes Executivo e Legislativo.
O que é uma OS para hospital Uma Organização Social (OS) é uma entidade privada e sem fins lucrativos que pode ser contratada pelo governo ou por instituições filantrópicas para gerir um hospital, mantendo o serviço público à população.
Na prática:
- O hospital continua existindo, podendo ser público ou filantrópico.
- A gestão do dia a dia (administração, recursos humanos, compras, manutenção) passa a ser responsabilidade da OS.
- O governo ou a entidade contratante fornece os recursos financeiros, enquanto a OS precisa prestar contas e atingir metas de qualidade e produtividade. O contrato entre hospital e OS define claramente:
- Serviços a serem prestados (ex.: atendimentos, cirurgias, exames)
- Indicadores de desempenho e metas de qualidade
- Recursos financeiros disponíveis e forma de repasse
- Penalidades em caso de descumprimento Pontos positivos de uma OS para hospital 1- Mais agilidade administrativa
- Pode contratar profissionais, comprar medicamentos e insumos sem passar por processos públicos longos. 2- Foco em resultados
- O contrato define metas de produtividade e qualidade, estimulando eficiência. 3- Continuidade do serviço
- Evita fechamento de setores ou redução de atendimentos em momentos de crise financeira. 4- Flexibilidade
- Pode ajustar escalas, plantões e serviços conforme demanda, sem burocracia excessiva. 5- Profissionalização da gestão
- Muitas OS contratam gestores especializados, melhorando a administração financeira e operacional. Pontos negativos de uma OS para hospital 1. Menor estabilidade dos funcionário
- Contratações podem ser temporárias e sem concurso, gerando insegurança para a equipe. 2. Risco de fiscalização insuficiente.
- Se o governo ou instituição contratante não acompanhar de perto, podem ocorrer problemas de gestão ou desvio de recursos. 3. Possível redução de custos prejudicial
- Algumas OS podem cortar gastos essenciais, afetando atendimento, insumos ou manutenção. 4. Dependência do contrato * O hospital fica totalmente dependente do repasse financeiro da OS e do governo; atrasos podem comprometer o funcionamento. 5. Críticas sobre privatização.
- Apesar de ser sem fins lucrativos, parte da população vê como um “controle privado” sobre serviço público essencial. Resumo Uma OS para hospital não privatiza o atendimento, mas transfere a gestão administrativa para uma entidade privada. O sucesso do modelo depende de boa gestão, metas claras e fiscalização eficaz. Quando bem implementada, pode garantir continuidade e eficiência; se mal gerida, pode prejudicar funcionários e atendimento à população.