Pecuária sustentável do Pantanal supera 85 mil abates e movimenta R$ 11,2 milhões

Programa coordenado pela ABPO amplia adesão de produtores, mantém mais de 97% de conformidade ambiental e reforça protagonismo do Pantanal na produção sustentável de carne durante debate no Pantanal Tech 2026.

Correio do Estado / Welyson Lucas


Pecuária sustentável do Pantanal supera 85 mil abates e movimenta R$ 11,2 milhões - Foto: Agro Agência

O avanço da pecuária sustentável no Pantanal de Mato Grosso do Sul tem consolidado o Estado como uma das principais referências nacionais na produção de carne com responsabilidade ambiental.

Coordenado pela Associação Pantaneira de Carne Orgânica (ABPO), o Programa Carne Sustentável/MS do Pantanal atingiu a marca de 85 mil animais abatidos até maio de 2026, resultado que demonstra a expansão da adesão dos produtores rurais e o fortalecimento de um modelo que alia conservação do bioma, rastreabilidade e geração de renda.

Os novos indicadores divulgados pela ABPO mostram que o programa reúne atualmente 141 propriedades rurais cadastradas e aprovadas, além de 63 profissionais habilitados para atuar como Responsáveis Técnicos (RTs), garantindo o acompanhamento dos protocolos de produção exigidos pela iniciativa.

Os números também evidenciam um elevado índice de conformidade ambiental e produtiva. No balanço consolidado do primeiro trimestre deste ano, quando haviam sido registrados 78.653 animais abatidos, 97,66% atenderam integralmente aos critérios do programa e receberam incentivos financeiros destinados aos produtores.

Ao todo, foram repassados R$ 11.291.666,72 em bonificações, recursos destinados diretamente às propriedades participantes como forma de incentivar práticas sustentáveis e agregar valor à produção pantaneira.

A operação também gerou R$ 1.130.191,66 em taxa de coordenação para manutenção e desenvolvimento do programa.

Segundo o diretor executivo da ABPO, Guilherme Oliveira, o crescimento dos indicadores comprova a consolidação da iniciativa e evidencia que a sustentabilidade passou a representar um diferencial competitivo para a pecuária do Pantanal.

'Alcançar a marca de 85 mil abates até maio e manter um índice de conformidade superior a 97% prova a maturidade do produtor pantaneiro e a eficiência do nosso manejo. Esses resultados demonstram que a sustentabilidade no Pantanal gera valor real e mensurável, unindo a preservação rigorosa do bioma com o fortalecimento econômico da nossa pecuária', afirmou.

Produção sustentável lidera movimentação econômica

A modalidade Carne Sustentável respondeu pela maior parte da produção certificada. Somente essa categoria contabilizou mais de 80 mil animais abatidos e movimentou aproximadamente R$ 11,13 milhões em incentivos financeiros, com bonificação média de R$ 146,56 por animal.

Já a categoria Carne Orgânica, voltada a mercados de maior valor agregado e submetida a critérios ainda mais rigorosos de manejo e certificação, registrou o abate de 847 animais. Os produtores receberam R$ 154.142,37 em incentivos, o equivalente a uma média de R$ 190,77 por cabeça.

Além de estimular práticas ambientalmente responsáveis, o programa busca ampliar a competitividade da carne produzida no Pantanal, agregando valor ao produto e fortalecendo o acesso a mercados que exigem comprovação de sustentabilidade.

Sustentabilidade domina debates no Pantanal Tech

Os resultados do programa também foram um dos principais temas debatidos durante o Fórum da Pecuária Sustentável, realizado dentro da programação do Pantanal Tech 2026, em Aquidauana.

O encontro reuniu representantes do setor produtivo, pesquisadores, universidades e integrantes do poder público para discutir políticas voltadas ao desenvolvimento sustentável da pecuária pantaneira, segurança jurídica no campo e mecanismos para ampliar a preservação ambiental sem comprometer a produção.

Durante o evento, o diretor executivo do Instituto Taquari Vivo (ITV), Renato Roscoe, defendeu que o debate sobre preservação ambiental precisa considerar as particularidades do Pantanal e do Cerrado, diferenciando essas regiões dos focos de desmatamento ilegal registrados em outras áreas do país.

'Temos que resolver a questão fundiária no país e a segurança jurídica. Se a gente não fizer isso, nós não vamos resolver o desmatamento ilegal. Porque o desmatamento ilegal acontece não é em propriedade que o produtor tem o CPF dele em jogo. É em áreas de ocupação, em áreas devolutas', afirmou.

Roscoe também destacou a transformação da pecuária sul-mato-grossense nas últimas décadas, ressaltando o aumento da produtividade sem necessidade de expansão das áreas de pastagem.

'Me fale onde, no mundo, aconteceu uma absorção de 5 milhões de hectares de pastagens utilizadas abaixo do seu potencial sendo convertidas em sistemas mais produtivos, saindo da pecuária, e ainda assim a produção de carne aumentou. Na história, eu não conheço', declarou.

Aproximação entre campo e cidade

Outro ponto destacado durante o fórum foi a importância de aproximar a população urbana da realidade vivida pelos produtores rurais e das práticas sustentáveis desenvolvidas no Pantanal.

O produtor rural Leonardo de Barros avaliou que o evento cumpre um papel estratégico ao reunir universidades, pesquisadores, empresas, comunidades pantaneiras e representantes do poder público em um mesmo ambiente de diálogo.

'Nós estamos falando da academia, universidade, empresas, a comunidade pantaneira e o público urbano. Então é um fórum extremamente importante para as pessoas conhecerem a realidade do Pantanal, para que a gente possa falar sobre as nossas dificuldades. E o poder público está aqui dentro, então é extremamente importante', ressaltou.

Com a ampliação do número de propriedades participantes, elevados índices de conformidade ambiental e crescimento contínuo da produção certificada, o Programa Carne Sustentável/MS do Pantanal reforça a estratégia de consolidar Mato Grosso do Sul como referência nacional na produção de carne de alto valor agregado, conciliando preservação ambiental, desenvolvimento econômico e fortalecimento da pecuária pantaneira.