Dia Mundial da Alergia: anafilaxia e choque anafilático acendem alerta para formas mais graves das reações alérgicas

Da Redação/HUMAP-UFMS


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Ainda que muitas alergias tenham início na infância, é possível desenvolvê-las em qualquer fase da vida, inclusive na idade adulta. Em alguns casos, essas reações podem evoluir para quadros graves e potencialmente fatais, como a anafilaxia e o choque anafilático. Por isso, o Dia Mundial da Alergia, em 8 de julho, chama a atenção para a importância do reconhecimento precoce e atendimento adequado.  
Como explica a médica alergista e imunologista pediátrica do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS), vinculado à rede federal HU Brasil, Maria Carolina Guimarães Albertini, “a alergia é uma resposta exagerada do sistema imunológico a substâncias que normalmente são inofensivas para a maioria das pessoas”. 
Doenças alérgicas respiratórias, como a rinite alérgica e a asma, são as mais frequentes. Dermatite atópica, alergia alimentar e a medicamentos, além de alergia à ferroada de insetos, também são comuns, cada uma delas com manifestações e níveis de gravidade diferentes. 


Anafilaxia X choque anafilático  


Quando a alergia se torna grave, temos a chamada a anafilaxia, com sintomas de início rápido e potencialmente fatal. Já o choque anafilático é uma das formas mais sérias da anafilaxia, quando ocorre uma queda importante da pressão arterial, podendo levar à perda de consciência e insuficiência respiratória. 
“Existe um mito de que a primeira reação alérgica sempre é leve. Isso não é verdade. Em alguns pacientes, a primeira manifestação já pode ser reconhecida como uma anafilaxia”, destaca a profissional. 
Entre as preocupações que cercam o choque anafilático está na sua reversão. A especialista reforça que é possível revertê-lo, porém com uma única medicação: a adrenalina. “Aplicada por via intramuscular, essa é a única medicação capaz de reverter rapidamente a anafilaxia e deve ser administrada o mais precocemente possível. É importante destacar que anti-histamínicos e corticoides não substituem a adrenalina”, afirmou. 
É importante destacar também que, após a aplicação da adrenalina, o paciente deve ser encaminhado imediatamente ao serviço de emergência para monitoramento e tratamento complementar. 


Um alerta para todas as idades

 

Como adverte Maria Carolina, é possível desenvolver alergias em qualquer fase da vida. Além disso, em pessoas já sensibilizadas, alguns cofatores podem facilitar o aparecimento da reação ou aumentar sua gravidade. “Existem fatores que não causam alergia, mas podem favorecer uma reação mais intensa, inclusive uma anafilaxia”. Entre eles, infecções, falta de atividade física, privação de sono, estresse, consumo de álcool, período pré-menstrual ou uso de alguns medicamentos, como anti-inflamatórios. 
Vale ressaltar que atualmente não existe um exame capaz de prever quem terá uma anafilaxia antes da primeira reação. Os testes alérgicos são indicados quando há suspeita clínica e ajudam a identificar o agente causador da alergia, mas não funcionam como exames de rastreamento em pessoas sem sintomas. 
Por isso, é fundamental reconhecer rapidamente os sinais de alerta. A médica alergista destaca que os sinais costumam surgir entre poucos minutos até duas horas após a exposição ao alérgeno. Os principais sintomas são urticária (placas avermelhadas pelo corpo), inchaço dos lábios, língua ou olhos, falta de ar, chiado no peito, rouquidão ou sensação de garganta fechando, vômitos repetidos, dor abdominal intensa e queda da pressão arterial. 
Orientação também é cuidado 
Identificar corretamente o agente causador da alergia e evitar sua exposição é essencial para evitar crises alérgicas graves. Como reforça a médica, “após uma reação, o ideal é que o paciente seja acompanhado por um médico alergista para confirmação do diagnóstico, investigação da causa e elaboração de um plano de ação para futuras exposições”. 
Assim como diversas outras questões envolvendo a saúde, é de extrema importância que familiares, cuidadores e pessoas próximas saibam reconhecer os sinais de reações alérgicas, em especial de anafilaxia.  


Rede HU Brasil 


O Humap-UFMS integra a Rede HU Brasil desde 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.