Gaeco apreendeu R$ 3 milhões em cheques durante operação

Força-tarefa também recolheu mais de R$ 200 mil em espécie; 14 alvos estão presos e dois seguem foragidos

Anahi Zurutuza / Campo Grande News


Parte do dinheiro apreendido na casa de investigados na Gutenberg (Foto: Gaeco/Divulgação)

Mais de R$ 3 milhões em cheques foram apreendidos durante as buscas da Operação Gutenberg, deflagrada na terça-feira (7) pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). Embora não tenha desaparecido por completo, o uso do cheque despencou desde os anos 90, principalmente após a criação do Pix. Hoje, alguns bancos só emitem talões para pessoas jurídicas que ainda utilizam esse recurso para transações de alto valor.

A ofensiva, que apura um suposto esquema de fraudes em contratos públicos que movimentou R$ 27 milhões, também recolheu mais de R$ 200 mil em dinheiro vivo. Parte do dinheiro estava em cédulas novas, ainda com lacre do Banco Central.

Os valores fazem parte do balanço atualizado das diligências, informado pelo Gaeco ao Campo Grande News às 18h desta quinta-feira (9). Segundo o órgão, 14 mandados de prisão preventiva foram cumpridos e duas pessoas continuam foragidas. Dos 43 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça, 40 foram cumpridos até o momento. As ações também resultaram em três prisões em flagrante por posse ilegal de arma de fogo.

Os dois investigados que seguem com mandados de prisão pendentes são Giovanni Paroschi Jafar e o estrategista educacional Heyder Bartz. Giovanni é o quarto integrante da família Paroschi Jafar alvo da operação. A mãe dele, a cirurgiã-dentista Rossana Paroschi Jafar, e os irmãos Olívia e Felipe Paroschi Jafar estão presos.

A quantidade de dinheiro em espécie apreendida supera o primeiro balanço conhecido da operação. No dia da deflagração, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) havia divulgado imagens de cédulas recolhidas durante as buscas, algumas delas ainda envoltas em lacres bancários. Na ocasião, o montante divulgado era de R$ 69.795 e 907 dólares.

A Operação Gutenberg foi deflagrada para cumprir inicialmente 16 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho e Porto Murtinho, além de São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).

Segundo o MPMS, a investigação apura a atuação de uma suposta organização criminosa envolvida em fraudes em licitações, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outros crimes. O grupo teria direcionado compras públicas de livros paradidáticos por meio de contratações diretas feitas por inexigibilidade de licitação. Os valores recebidos dos cofres públicos ultrapassariam R$ 27 milhões e, conforme a investigação, eram distribuídos entre integrantes do esquema, servidores e pessoas físicas e jurídicas usadas para ocultar a origem do dinheiro.

A apuração também alcança a saúde pública. De acordo com o Gaeco, servidores cooptados teriam usado influência sobre a regulação estadual para condicionar autorizações de exames, cirurgias e vagas em hospitais à compra dos livros vendidos pelo grupo investigado. Durante a operação, equipes estiveram no Core (Complexo Regulador Estadual), em Campo Grande, de onde saíram com um malote de materiais apreendidos.

Entre os presos estão empresários, servidores públicos, profissionais da saúde, advogados e o ex-prefeito de Fátima do Sul Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, conhecido como Junior Vasconcelos. Também foi preso Ed Carlo Britto Burgatt, então coordenador estadual de Regulação Assistencial.

As prisões preventivas de Rossana Paroschi Jafar, da empresária Jessyca Duarte Burgatt e de Junior Vasconcelos foram mantidas após audiências de custódia realizadas nesta quinta-feira. As defesas dos investigados preparam medidas judiciais para tentar revogar as ordens de reclusão e contestam a participação dos clientes no esquema.