Operação Gutenberg ganha força: seis prefeituras da região entram na mira do Gaeco

Pauta Diária


Prefeitura de Caarapó é um dos alvos da nova fase operação após compra em 2025

Mesmo após o avanço das investigações e os primeiros pedidos de prisão da Operação Gutenberg, contratos continuaram sendo firmados com a empresa apontada pelo Ministério Público como peça central de um esquema de desvio milionário de recursos públicos.

A investigação da Operação Gutenberg ganhou um novo capítulo e reforçou a dimensão do suposto esquema de corrupção que teria desviado milhões de reais dos cofres públicos de Mato Grosso do Sul. Após denunciar uma organização criminosa acusada de movimentar R$ 27,4 milhões por meio de contratos fraudulentos nas áreas da saúde e da educação, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) identificou novos repasses de R$ 2.160.218,00 feitos por seis prefeituras à Editora Avante, empresa apontada como o principal instrumento financeiro do grupo investigado.

As novas diligências revelaram que, mesmo com a investigação em andamento e às vésperas da deflagração da primeira fase da Operação Gutenberg, contratos continuaram sendo assinados com a empresa, demonstrando, segundo o Ministério Público, que o esquema permanecia em plena atividade.

De acordo com relatório do Gaeco, os investigadores realizaram uma nova varredura após os pedidos de prisão expedidos em julho e localizaram contratações recentes envolvendo os municípios de Anaurilândia, Japorã, Fátima do Sul, Deodápolis, Caarapó e Juti.

Os contratos somam mais de R$ 2,1 milhões, distribuídos da seguinte forma:

Anaurilândia: R$ 232.530,00 — Vigência: 15/01/2026 a 15/01/2027
Japorã: R$ 226.480,00 — Vigência: 20/10/2025 a 19/04/2026
Fátima do Sul: R$ 244.020,00 — Vigência: 05/11/2025 a 05/05/2026
Deodápolis: R$ 474.876,00 — Datas: 09/01/2025 e 14/01/2025
Caarapó: R$ 589.392,00 — Vigência: 15/12/2025 a 15/04/2026
Juti: R$ 392.920,00 – Data: 30/04/2026

Segundo o Gaeco, a descoberta reforça a capilaridade da organização criminosa e demonstra que as negociações com o poder público continuavam ocorrendo em 2025 e 2026.

Novos municípios entram na investigação

Embora os contratos identificados não representem, por si só, comprovação de irregularidades por parte das administrações municipais, o Ministério Público considera que os novos documentos justificam o aprofundamento das investigações sobre as contratações realizadas.

Entre os prefeitos que se manifestaram, o prefeito de Deodápolis, Jean da Saúde (PSDB), afirmou que o contrato foi rescindido antes da aquisição dos livros e que nenhuma quantia foi paga à empresa.

Já o prefeito de Juti, Gilmar Marcos da Cruz (PSDB), informou que a compra ocorreu dentro dos procedimentos previstos na Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021) e negou qualquer direcionamento na contratação.

O prefeito de Anaurilândia, Rafael Gusmão Hamamoto (PP), confirmou a aquisição dos livros e informou que os materiais foram entregues, prometendo encaminhar manifestação oficial.

Os demais municípios, entre eles Caarapó e Fátima do Sul, foram procurados e ainda não haviam se pronunciado.