Gaeco investiga suspeita de desvio de 500 kg de cocaína por policiais da Defron

Dourados Agora/Flávio Verão


Defron divide o mesmo espaço que a DOF em Dourados - Foto: Reprodução

O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), deflagrou na quinta-feira (5) a Operação Infiltrados II para investigar um suposto esquema de desvio de drogas apreendidas por policiais civis que atuavam na Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron).

Foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão em Dourados, Ponta Porã, Nova Andradina e Santa Terezinha de Itaipu (PR). Nove policiais civis foram alvos de medidas cautelares. 

Segundo o Gaeco, o esquema teria funcionado de junho de 2025 a maio de 2026. As drogas, principalmente cocaína, seriam retiradas durante diligências, dos depósitos da delegacia ou durante o transporte para incineração e, depois, entregues a traficantes para serem recolocadas no mercado ilegal.

Em uma das ocorrências investigadas, em setembro de 2025, mais de 500 quilos de cocaína que seriam incinerados teriam sido desviados, informou o Ministério Público. Os nove policiais estavam lotados na Defron durante o período investigado. 

Remoções e apuração interna

Portarias publicadas no Diário Oficial Eletrônico mostram que sete dos nove investigados foram removidos da Defron entre abril e maio deste ano. A primeira transferência citada no levantamento ocorreu em 23 de abril; a maior parte foi publicada nos dias 27 e 28 de maio, incluindo a saída do então delegado responsável pela unidade, Guilherme Scucuglia Ceza. Ele foi transferido posteriormente, em setembro, para a Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos (Derf), em Campo Grande. 

A Polícia Civil informou que as possíveis irregularidades já eram investigadas pela Corregedoria-Geral havia cerca de quatro meses, por meio de inquérito policial e procedimento administrativo disciplinar. Segundo a corporação, foram adotadas medidas como remoções de servidores, revisão de procedimentos e correição extraordinária na unidade. As portarias registram as transferências, mas não esclarecem, por si só, a motivação de cada ato. 

A operação teve apoio da Corregedoria da Polícia Civil, do Batalhão de Choque da Polícia Militar e do Gaeco do Paraná. Segundo o MPMS, o nome “Infiltrados II' alude à suspeita de que integrantes do grupo usavam funções e estruturas de segurança pública para viabilizar os crimes investigados.